sábado, 13 de março de 2010

Carta do Dia: 4 DE OUROS

 Druidcraftminor-coins-4     “Tudo meu"!”

     Quem ainda não ouviu de uma criança a expressão acima? Ela pode estar se referindo a qualquer coisa tipo brinquedos, joguinhos, biscoitos, figurinhas, etc.

     O problema está quando essa criatura cresce e continua vivendo em função desse “tudo meu”, acreditando que o acúmulo, a conservação ou o direito de uso é exclusividade dela e daí vem o se reconhecimento social e o direito de exercício de um poder sobre as demais pessoas. Na verdade essa pessoa passou a buscar seus próprios valores fora de si mesma. Ao invés de reconhecer seus “tesouros”, passa a acumular e a cercar-se de bens que, ou são perecíveis, facilmente roubados, ou geram insegurança.

     Não foi uma e nem duas vezes que cruzaram pela minha vida pessoas de grande projeção econômica e que viviam absolutamente angustiadas de perderem o que possuíam ou serem ludibriadas em seus sentimentos por pessoas interessadas unicamente nesses bens materiais. Creio que a literatura e o cinema estão repletos de estórias exemplares a respeito, não é mesmo?

     Não estou falando de pessoas que utilizam os recursos de que dispõem para se ajudarem e ajudarem aos demais. São os geradores de empregos, são os que movimentam a economia fazendo que o dinheiro circule por diversas mão e diversas vertentes tais como a indústria, o comércio, a exploração de recursos naturais, os transportes, e assim por diante. O 4 de Ouros pode, numa leitura, simbolizar exatamente a não circulação do dinheiro, ou de energias similares, provocando a sua estagnação.

     Meu avô contava-me a história de um velho conhecido dele que, por não confiar em bancos e não querer que outras pessoas soubessem quanto dinheiro possuía, guardava-o dentro do colchão (parece piada, não é mesmo? Mas tem gente que ainda o faz…). Como vivia numa zona rural e era semi-alfabetizado, sem acesso a rádio ou à leitura de jornais, não ficou sabendo de uma das muitas mudanças de nomes e tipos de cédulas e moedas que tivemos. Quando, num determinado dia, resolveu que era, finalmente, chagada a hora de comprar um trator para o seu sítio, qual não foi sua surpresa em ter seu dinheiro recusado pela revendedora. O que ele havia acumulado dentro do colchão e que lhe havia servido de suporte para o descanso noturno, garantido-lhe sonhos de segurança e abundância  tinha se transformado exclusivamente em papel colorido.

     Os antigos cabalistas diziam que a grande alegria de Deus está em doar e que para tanto ele criou a espécie humana, como vasos receptores desse constante fluxo de doação. Para que nós (nossas taças) sejam permanentemente completadas com energias novas e vitalizantes, precisamos imitar o Criador esvaziando-as em outras taças, criando assim uma rede de contínuo fluir. Não o fazendo, estamos interrompendo o fluxo natural e deixando que aquelas energias se estagnem, não beneficiando a ninguém e muito menos a nós mesmos.

     Tive uma prima que era obcecada por decoração e seu maior orgulho não eram, definitivamente, as 3 lindas filhas que possuía, mas a casa mais bonita da cidade em que morava. Realmente a casa era lindamente decorada, com objetos escolhidos com extremo bom gosto e pesquisa. Tudo era harmonioso, de uma beleza pictórica que poderíamos descrever como “natureza morta” pois a ninguém, nem mesmo marido, filhas, parentes era concedido o direito de adentrar ao espaços mais nobres da casa. Salas de visita, sala de jantar, biblioteca e sala de jogos era algo que somente ela e as empregadas tinham acesso. Nenhuma visita era recebida pela porta principal da casa, para não macular aquele santuário construído dentro de uma estética apuradíssima. A família limitava-se a viver entre os quartos, a sala de almoço e a cozinha. Só ela, minha prima, passava longas horas naqueles aposentos, apreciando-o de diversos ângulos, vendo-o sob diversas luzes, tocando seus tecidos preciosos, acariciando seus enfeites caríssimos, rearranjando as flores, deixando-se hipnotizar pelos intrincados desenhos dos tapetes de seda orientais.

     Nunca as filhas puderam receber suas amigas ou namorados naquelas salas. Nunca um almoço, um jantar, uma comemoração de aniversário, uma ceia de Natal foi  servida na enorme sala de jantar. Ninguém, nem mesmo o marido, tinha acesso à biblioteca e ao calor aconchegante de sua lareira. Eu, quando concluí meu curso de arquitetura, fui privilegiado com um “tour” por aquelas secretas dependências. Presente especialíssimo de formatura que ela me dava, ao repartir uma visão de seus preciosos tesouros. Voltei a entrar naquele santuário apenas mais uma vez, quando minha prima faleceu. Dias depois, nada mais daquilo existia pois as filhas, a quem nunca foi permitido desfrutar daqueles espaços e objetos, concordaram em leiloar absolutamente tudo, já que nunca tiveram nenhuma relação emocional com nada daquilo.

     Quando o 4 de Ouros aparece numa jogada de tarot, dependendo de sua localização na disposição do jogo e das cartas que o cercam, além da questão avençada pelo consulente, pode significar, bem ou mal dignificado, o seguinte:  incapacidade de compartilhar bens materiais ou sentimentos; ganância, egoísmo, mesquinharia; estar obcecado na obtenção de mais do que poderia necessitar ou usufruir; produtividade interrompida ou estagnada devido à falta de circulação de energias; materialismo exagerado;  ser escravo do dinheiro; independência financeira; dar e receber em troca; competição sadia; perda de dinheiro; resistir às mudanças; querer controlar os outros; ciúme; inveja do sucesso das outras pessoas; oferta de trabalho; apego exagerado; sucesso material e poder temporal conquistados.

     Se há uma lição que podemos extrair do 4 de Ouros é a de que devemos sempre estar atentos a como nos relacionamos com a nossa necessidade de controlar tudo e a todos e aprender a aceitar que a possessividade tem origem no medo da mudança e na nossa segurança emocional.

     Aproveite o final de semana para abrir-se a novas idéias, declarar sua confiança e afeto às pessoas que ama, contribuir com que necessita, e procurar desapegar-se de tudo aquilo que nos escraviza.

     Muita Paz para todos!

Imagem: DRUID CRAFT TAROT

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